segunda-feira, junho 6

Afrenigador de Chamucícas

Estou a bocejar. Não bocejava tanto desde, sei lá, à muito tempo, creio. Devo ter sono. Mas tenho saudades de ouvir o dedilhar desde teclado, tenho saudades de fazer soar palavras e publica-las neste pequeno e isolado sitio, onde as palavras arranjaram um sitio para viver. É este o seu lugar, talvez fiquem aqui para sempre, e um dia serão esquecidas e apagadas pelo tempo.. Quiçá?
Random.
Não tenho sido nem aqui nem agora, mas se calhar nem preciso de ser sempre, talvez também goste de ser normal...
Não.
Não gosto do normal (na verdade gosto, mas em curtos períodos de tempo), é monótono, acho que o normal sucks>, mas se for "esquisito" não é mau? Não, tenho algo que me posso orgulhar, algo que me faz sentir tão bem. Sou diferente. Não sou igual a ninguém. Não há maneira de haver comparações. Nada de estereótipos. NADA!
Tenho sono.
Estou a ver uma sereia aqui no quarto. Ela esta a segredar-me ao ouvido:
- "Tenho algo por baixo desta bela escama que sei que adorarias ver..."
Na verdade fiquei bastante curioso, porque nunca na minha vida vi uma sereia fora do mar e muito menos "descamada". Mas será que deva aceitar a tal discrepante proposta? Afinal posso impressionar-me. Não sei se quero.
Oh mas é tão tentador, estando esta sereia a fazer-me olhinhos. Acho que devia aceitar, principalmente porque gosto muito de torradas, e hoje ao lanche, se me recordo comi duas, ou eram três? Não, acho que um pão partido ainda conta como um, ou seja havia uma carcaça e depois havia outra, mas esta segunda partiu-se mais ou menos a meio, raios natureza, não fazes nada simétrico, mas se calhar estou só a dispersar-me, digo eu.
Oh sereia , não queres que veja isso noutra altura?
Ela aproxima-se num com o rosto fechado num tom melancólico e questiona-me.
- "Estás a mandar-me embora?"
Não, claro que não Samara, não sei porque te chamei isto, foi estúpido. Na verdade acho que tens mais cara de Andreia ou de Maria Bolo de Chocolate, mas é engraçado porque gosto de torradas e não tenho fome, mas tenho sede.

quinta-feira, maio 19

Hey there.. I've been MISSING you

- “Olá, tudo bem?”
- “Tudo bem?”
Primeiro penso - eu acabei de responder a uma pergunta com outra? - Depois, encaminhado para o segundo pensamento, para a segunda ideia, retomo a principal linha de pensamento.
Fomos colegas durante três anos; três anos de gargalhada, três anos de boa disposição, enfim.. três anos de muita coisa. Agora tendo passado dois anos desde que estive contigo, com o "nosso" grupo de colegas e amigos, com a nossa TURMA.
Hoje estou a ver-te, passas por mim e diriges-me um "tudo bem?". Eu limito-me a olhar bem para ti, de alto a baixo. Bem, como estás diferente; cresceste, estás mais avantajada, mudaste de penteado, bem posso continuar a nomear as tuas visíveis diferenças.
Passaram três segundos desde a tua fala.
Esboço um sorriso realmente sentido, acompanhado por um "sim, esta tudo em, e contigo?", em que na realidade não espero uma resposta palpável, quero é fazer-me ouvir. Ouve a minha voz. Tenho saudades tuas. O pensamento sumiu e tu sorris, uma última vez, enquanto te preparas para retornar a andar e seguir a tua vida, tal como havias planeado antes de eu te interceptar.
Tenho saudades tuas.
Quero saber de ti, o que é afinal feito de ti? Estas onde? Que tens feito? Devíamos combinar um café e meter a conversa em dia, uh? Aposto que SE PASSOU ALGO nestes dois anos. Acho que um "nada de mais" não resume esses dois anos.
Penso num "foi bom ver-te", mas já estas a andar e estas agora a dois metros de mim. Já te foste. Acabaste de ir. Pondero se digo a frase que circula agora na minha cabeça, ou não digo.. Não. Não vale a pena. Guardarei isso para o tal meio combinado descombinado café!
Tenho saudades tuas.

segunda-feira, maio 16

Espécie de calor endiabrado

Na verdade não me serviu de nada, quando cheguei a casa, despir-me. Estava calor e tinha comichão. Mas agora tenho de me voltar a vestir, para me despachar para me ir aventurar numa sala, onde a (principal) função é o culto, a aprendizagem. Não me quero vestir, será assim tão errado aparecer de meias e boxers? Só? Numa escola? Sei lá, podiam dar-me credito pela originalidade, ou calor.. Vontade não falta, mas repito-me.. Será tão errado?
Agora se me dão licença vou ali à casa de banho aliviar-me. Com licença.

quarta-feira, maio 11

Óh Kurt.. Fucking genius

"Bem, eu realmente aprendi algumas coisas e uma delas é que a felicidade não tem nada a ver com a aprovação das outras pessoas. O que é realmente importante é estares feliz contigo mesmo, encontrar alguém que é importante para ti e seguir adiante sem ligar ao que os outros falam."
- Kurt Cobain

quarta-feira, abril 27

"O Amor é Fodido" por Miguel Esteves Cardoso

"Nascemos todos com vontade de amar. Ser amado é secundário. Prejudica o amor que muitas vezes o antecede. Um amor não pode pertencer a duas pessoas, por muito que o queiramos. Cada um tem o amor que tem, fora dele. É esse afastamento que nos magoa, que nos põe doidos, sempre à procura do eco que não vem. Os que vêm são bem-vindos, às vezes, mas não são os que queremos. Quando somos honestos, ou estamos apaixonados, é apenas um que se pretende.
Tenho a certeza que não se pode ter o que se ama. Ser amado não corresponde jamais ao amor que temos, porque não nos pertence. Por isso escrevemos romances — porque ninguém acredita neles, excepto quem os escreve.
Viver é outra coisa. Amar e ser amado distrai-nos irremediavelmente. O amor apouca-se e perde-se quando se dá aos dias e às pessoas. Traduz-se e deixa de ser o que é. Só na solidão permanece. […]
Tenho o meu amor, como toda a gente, mas não o usei. Tenho também a minha história, mas não a contei. O romance que escrevi, escrevi-o para quem não quer saber dos amores ou das histórias de ninguém. Não contei nem inventei nada. Não usei nem pessoas nem personagens. Fugi. Quis mostrar que pertencia ao mundo onde o amor, como as histórias e os romances, existem só por si. Como se me dirigisse a alguém. Outra vez.
É sempre arrogante e pretensioso escrever sobre uma coisa que se escreveu. Apenas posso falar do que foi aminha vontade: escrever sobre o amor, sem traí-lo, defini-lo ou magoá-lo; deixando-o como era, antes da primeira palavra que escrevi. Seria inadmissível pôr-me aqui a cismar se consegui ou não fazer o que eu queria. Como seria dizer que não sei. Sei. Sei que não consegui. Só espero não tê-lo conseguido bem."

- Miguel Esteves Cardoso

sábado, abril 2

Stop following me!!

É assim que me tenho sentido nos últimos dias. Perseguido. Eu até poderia (ou se calhar posso) considerar uma espécie de mania da perseguição, mas não o acho. Não o posso achar. A melhor comparação que me ocorre, é que sou o tal civil inocente daquele filme de acção, que o assassino tem um prazer sádico e perverso em manter a mira da sniper na minha cabeça, a seguir cada movimento, sem desviar a atenção por um segundo, com o dedo no gatilho da arma. Mas então o que me faz sentir assim? Porque razão ando a sentir-se demasiado observado e exposto? Vulnerável a ataques?
Já faz algum tempo que tudo o que faço, coisas pequenas e irrelevantes para mim e para as pessoas (normais) no geral, ou até mesmo coisas grandes, tem um grande impacto para outras pessoas. Numa forma geral tudo o que faço, tem um grande impacto para outra pessoa! Quer olhe para a esquerda, quer ria, quer goste duma cena qualquer..
Coisas tão banais como um comentário qualquer numa rede social, pode ostentar nessa pessoa um fascínio absurdo que faz gostar disso. Até aí tudo bem, mas e se não for num comentário e forem em todos? Que essa pessoa, fora da noção de realidade, acha piada e segue constantemente. Sempre actualizado de tudo o que faço, como o tal sniper. Por falar nisso, está a acontecer enquanto escrevo. Neste preciso momento.
Gostava que fosse uma paranóia, tudo dentro da minha cabeça, para os ditos normais olharem para a rua e verem-me correr exaustivamente e com a respiração ofegante e a arfar, enquanto grito: "ESTOU A SER PERSEGUIDO, AJUDEM-ME!!" e não vem ninguém atrás de mim, para além da minha querida sombra. "É louco, só pode".
Mas infelizmente não é o caso. Gostava que a obsessão da outra pessoa fosse paranóia minha. Não é.
Já ouvi (e vi) outros civis inocentes queixarem-se do mesmo assassino. Com a mesma sniper, mas não querendo sobressair-me o que eu reparo é que este assassino só se interessa pela recompensa que nalgum estado devo valer – sendo cadáver ou não - deve ser muito.