terça-feira, novembro 19

Mas lembra-te, antes de tentares pisar alguém, lembra-te se a pisadela no futuro não vira ajoelhadela.

sábado, novembro 16

Achado não é roubado

Eu por norma não gosto muito de escrever sobre este assunto, mas como são onze e meia da noite e dói-me o joelho, let's get to it.
A morte (sim, outra vez) é um tema estranho, por um lado triste, mas não deixa de ser curioso e até interessante. Para mim é demasiado curioso, até diria fascinante, mas é que o joelho está mesmo a doer tanto, que sinto como se a minha patela fosse uma mina a ser explorada e a dor tem um capacete amarelo e uma picareta na mão. Que fucking poético!
Eu amo muito a minha mãe e muito há minha maneira e tenho a certeza que ela sabe isso. Agora vou escrever numa realidade não existente e espero que assim se mantenha durante muitos meio-séculos!
Cá vai..
Se ela morresse hoje, para além da trágica notícia que seria e de eu ficar perdido, num misto de inúmeros e variados sentimentos que iriam flutuar, quase como se uma boia cheia de oxigénio fosse largada nas profundezas do oceano, viajando numa velocidade realmente veloz para alcançar a superfície. Note-se que neste momento escrevo com o coração, a caneta deixou de estar de estar na mão esquerda.
Viria o sentimento de ausência à cabeça (leia-se coração), mas se perguntassem "Quais foram as suas últimas palavras?", eu iria parar no tempo e pensar, refletir e analisar. Seriam "Eu não volto a falar nisso." Que merda de forma de despedir, uh? Pensando bem nisto, ninguém está preparado para a morte de ninguém, no entanto temos um comportamento de negação. Claro. Desde que nascemos evitamos, ou melhor, é-nos evitado ter de lidar com tal acontecimento, até não haver hipótese desse mesmo contacto ser evitado.
Agora tenho muita vontade de ir acordar a minha mãe com um beijo na sua face esquerda, acompanhado de um "Mãe, gosto mesmo muito de ti" sussurrado ao ouvido. Ela ficaria intrigada, se calhar mais pelo facto de saber se a realidade invadira o seu sonho, ou se vice-versa. E eu lá seguia a minha vida. Pode ser que isto vire rotina. Seria bom se acontecesse. Desta forma quando acontecesse o inadiável, podia pensar, pelo menos o que ela sabia, confirmou ao ter sido dito por mim. Porque nós sabemos, mas óh, é tão bom ouvir a pessoa a proferir tais palavras.. Eu disse-lhe, ela soube, teve a certeza e fico um nada mais descansado (mentira, a tristeza mascara isso e é como se não tivesse descansado de todo)
E é isto, apesar de vivermos tanto, a vida é traiçoeira, tanto pode ser um rio saudável e cheio de peixes, como também pode ser um que nem o plâncton tem e no fundo é apenas um pântano seco (espero que nenhuma professora de geografia leia esta parte), and just like that it's over, por isso, na minha opinião há uma panóplia de coisas que são tão, mas tão relativas e pequenas, face ao que realmente importa e sobrevalorizamos estas coisas, estupidamente. Corta o cabelo. Usa a gravata verde, a preta parece que mostra alguma tristeza. Sai do computador. Faz a cama. Leva o lixo fora. Claro que tudo isto tem a sua quota-parte, não digo que não, claro que de alguma forma isto tem algum tipo de valor e de importância. Mas o que é realmente importante? Bem, isso agora depende da definição de importante que cada um tem. Eu encontrei a minha e isso chega, se o meu importante é equivalente ao importante para outrem? Que interessa isso? Quase que faz parte daquela pergunta interessante, "qual é o sentido da vida?" Todos nós, ou pelo menos uma grande parte, vive neste enigma a tentar decifrá-lo, como se este se tratasse de um cubo de Rubik. A meu ver, nós não temos de procurar o sentido da vida, mas sim encontrá-lo, dar um sentido à vida, é esse o sentido da vida.

domingo, outubro 20

PEOPLE = SHIT

Ando sem paciência para interagir pessoalmente com pessoas, acho que preciso de férias de pessoas. Será isto possível? Gostava de ser um mocho e andar a espalhar os meus "ooh-oh" sábios e advertidos a todas as almas inexperientes de forma a proporcionar uma formação prévia não cair do céu, como uma chuva mal mentida pela metreologia. São dez e quarenta e duas da noite e estou saturado das pessoas. Fun fact, eu não gosto de pessoas, nada. Detesto, quando juntas então, penso que é catastrófico, o que poderá resultar num misto de cérebros frescos com experientes, onde ideias e pensamentos possivelmente não se difundem (a não ser que seja uma manifestação, então aí sim, creio que as mesmas ideias e fundamentos são partilhados.) Podem-se difundir, depende do publico-alvo em questão, quiçá? Mas estou saturado. Ao ponto de um "vai-te foder" é equivalente a um dócil "boa noite", onde a chain reaction é uma espécie de grunhido mental para não gritar um "o que foi ,caralho? não vez que estou a tentar imprimir? for fuck's sake." Not polite. Como eu disse, não gosto de pessoas, no entanto faço um reparo para abrir uma excepção para uma individualidade de pessoas a que chamo de familia, amigos, etc.  Mas as pessoas são tricky e os mais novos prendem neste momento a minha preocupação, já o António Gedeão dizia: "Quando o Homem sonha, o mundo pula e avança". Mas e esse eles não quiserem sonhar? E se a óptica deles for: Épa não quero sonhar, agora deixa-me matar este porco no ipad, é só atirar a galinha." Ou pior, podem querer brincar com um cocó que faz cocó. Não dá uma sensação de segurança. Pelo menos sei de algo que me tranquiliza e esse algo é que houve, há e sempre haverá pessoas fenomenais e isso é bom.  Eu li esta frase no outro dia: É bom enquanto houver medo, pois foi o medo do escuro que fez que inventássemos as lâmpadas e a electricidade. Foi o medo das doenças que nos fez inventar as vacinas. É bom termos medo, pois quando temos medo, estamos a contribuir para a existência de um futuro. "A partir do momento em que deixarmos de ter medo, aí sim, é uma razão para ter medo."

quarta-feira, outubro 16

tijolos brancos

Isto apenas aconteces porque tu és muito teu e queres que todos estejam contentes, no matter what. Não quero com isto dizer que tu dizes sim a tudo e que fazes coisas contra a tua vontade, eu sei que não, e no fim tu ficas a pensar e repensar sobre o que fizeste e não falas, mas por dentro estás à procura de uma resposta, uma perspectiva dentro de ti que justifique o que disseste, de forma a não te sentires mal. Na tua óptica não mentiste e afinal de contas isso é que é o importante não é? O cérebro humano é assim, tenta arranjar uma justificação racional para conseguir usar a lógica para justificar tudo. Se o teu cérebro te atacasse, encararias a verdade de uma outra forma, uma outra perspetiva de outrem talvez. - Mas tu estás a falar do quê, chavalo?
- Estou a justificar o facto de seres assim, até vou arriscar e referir que acredito que todo o ser humano faça o mesmo.
- Tu estás aí armado em psicólogo para quê?
- Na verdade é mais em biólogo, para a vertente da neurociência, fascina-me o cérebro humano, a maneira como ele funciona, como é fácil o enganar através da alteração nas suas "rotinas" padronizadas.
- What?
- E que é possível conjugar esse facto com o de marketeer e..
- What?
- Como?
- Explica o que aconteceu.. Tu mentiste a alguém, mas para não te sentires mal contigo mesmo, arranjas maneira de acreditar que não mentiste, porque aprendeste que mentir é errado, é punível. Portanto, deves ter mentido e agora estás a tentar arranjar forma de pensar que não o fizeste. A questão é que tanta, mas tanta gente faz isso e tu estás preocupado porque não queres sentir-te mal contigo próprio?
- Então houve uma oportunidade que eu tive de ir a um certo sítio, num dia em especial, fazer uma determinada ação, mas como me vi como se tivesse entrado num daqueles túneis que na verdade nem são tuneis, mas sim labirintos, de modo em que o primeiro passo que dei, vi-me dentro desse mesmo labirinto e ao voltar-me para trás fico estonteado ao reparar que o sitio por onde entrei, este que outrora tinha uma porta, tem agora nada mais, nada menos do que um conjunto de tijolos brancos, de um metro e meio, tal como todo o resto do labirinto. Quando perceciono isto, vejo que não poder jogar o jogo pelas regras; não vou chegar ao fim do labirinto, o motivo assim o fez. A única opção é aquela que não me agrada de todo; tenho de trepar o muro. Apesar de ser fácil de o fazer não gosto porque parece que perco um pouco da dignidade que tenho.
- Ah, e com isso ficas a sentir-te mal, ou seja, arranjaste essa forma de pensar para não te sentires mal..
- Não! Eu nunca menti, simplesmente omiti. Omitir não é mentir. Se disseres: Aquela vaca foi morta por mim, embebedei-me, conduzi o que pensava ser um trator, mas na verdade era um corta-relva. Estás a dizer de uma forma pormenorizada o que se passou. Se disseres: A vaca foi morta. Estás a encortar toda uma panóplia de pormenores. No entanto não mentiste...
- Boa noite, dorme bem
- Dorme bem e não deixes os mosquitos morderem.

terça-feira, setembro 17

Aquela palavra poderosa

Deixa-me estupefacto a quantidade de pessoas que diz "eu amo-te" à toa. À toa porque não empregam nesta palavra a pressão que a deviam empregar.
"- Yha. É bué tranquilo porque não carrego nas minhas costas nenhuma pressão, estou safo, cada um diz-me quando quiser, é tranquilo, yha, cenas.."
Mas não é isto que deveria de acontecer. Pelo menos esta é a minha opinião.
Na minha opinião "amo-te" é equivalente a um elefante a ser carregado por uma formiga. Sim, ele vai estar a ser carregado durante tempo indefinido, mas uma vez descarregado o elefante, a formiga sorri. Sorri porque pela primeira vez em tanto tempo ela sente-se liberta, porque já não carrega aquele peso com ela, e isso é lindo. 

Concluindo, eu amo-te.
Devo ter demorado tempo a dizer-te, mas sabes que não é preciso dizê-lo para saberes que o sentimento existe. Idem.
Obrigado, meu amor.

segunda-feira, setembro 2

- "Gosto de ti como daqui àquele carro ali."
- "Qual?"
- "O que não pára, porque o nosso amor não pára de crescer."